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Bandeirantes

24 mar
Bandeirantes

Diferentes tipos de bandeirantes

Os bandeirantes foram sertanistas do Brasil Colonial, que, a partir do início do século XVI, penetraram nos sertões brasileiros em busca de riquezas minerais, sobretudo a prata, abundante na América espanhola, indígenas para escravização ou extermínio de quilombos.

A maioria dos bandeirantes eram descendentes de primeira e segunda geração de portugueses em São Paulo, sendo os capitães das bandeiras de origens europeias variadas, havendo não só descendentes de portugueses, mas também de galegos, castelhanos e cristãos novos, além de alguns casos de parentescos genoveses, bascos, sarracenos, napolitanos e toscanos, entre outros.

Compunham minoritariamente as tropas segmentos de índios (escravos e aliados) e caboclos (mestiços de índio com branco), normalmente chegando a, no máximo, vinte por cento do contingente total, e executando as tarefas secundárias da tropa, tal qual a manutenção dos mantimentos e cuidados dos animais de abate.

Além do português, os bandeirantes também falavam a língua tupi, língua esta que era por vezes a utilizada quotidianamente por eles. Foi com termos tupis que os bandeirantes nomearam os vários lugares por onde passaram, originando muitos dos atuais topônimos brasileiros, como Jundiaí, Piracicaba, Sorocaba, Taubaté, Guaratinguetá, Mogi das Cruzes, São Luiz do Paraitinga, Tatuapé etc.

Entradas e Bandeiras

Principais bandeiras realizadas no Brasil durante os séculos XVII e XVIII

Os Bandeirantes Paulistas

Devido à crise econômica da agromanufatura açucareira, aliada ao espírito aventureiro, a partir da segunda metade do século XVII, uma leva de expedições partiram da vila de São Paulo rumo aos sertões, em busca de nova fonte de recursos. Estas expedições ficaram conhecidas como bandeiras, e os seus empreendedores, de bandeirantes.

Os mais famosos bandeirantes nasceram no que é hoje o estado de São Paulo, entre eles Antônio Raposo Tavares, Manuel Preto, André Fernandes, Borba Gato, Bartolomeu Bueno da Silva, Pascoal Moreira Cabral e outros

Os bandeirantes paulistas foram em parte responsáveis pela conquista do interior e extensão dos limites de fronteira do Brasil para além do limite do Tratado de Tordesilhas, acordo firmado entre Portugal e Espanha com a intenção de dividir a posse das terras do Novo Mundo.

Com isso todo o Centro Oeste passou a pertencer ao Brasil, sendo criadas, em 1748, as capitanias de Goiás e de Mato Grosso, e o Brasil foi expandido, também para o sul de Laguna em Santa Catarina.

No final do século XVII, bandeirantes paulistas descobrem ouro na região do Rio das Mortes e provoca uma corrida em direção às Minas Gerais, como eram chamadas na época os inúmeros depósitos de ouro por exploradores advindos tanto de São Paulo quanto de outras partes da colônia.

Caminhos dos principais bandeirantes paulistas

Os Bandeirantes rumo ao norte

Inicialmente, os bandeirantes paulistas foram adentrando o interior paulista em busca de indígenas para servirem de escravos.

Em 1648, uma grande expedição chefiada por Antônio Raposo Tavares desceu o Rio Tietê e explorou regiões além do Rio Paraná em busca de índios, percorrendo as regiões de Mato Grosso do Sul, Bolívia, Peru (chegando ao Pacífico) e Amazônia, retomando a São Paulo em 1652.

Sabendo que os espanhóis haviam encontrado grande quantidade de prata em suas colônias americanas, os governantes do Brasil Colonial passaram a incentivar os bandeirantes a desbravarem e colonizar as terras além do Tratado de Tordesilhas.

Em 1670, o bandeirante Bartolomeu Bueno de Siqueira atinge as terras do atual Goiás em busca de ouro.

No ano de 1682, o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, parte de São Paulo em direção ao Rio Araguaia, atravessando as terras do atual estado de Goiás.

Ele teria encontrado os índios da tribo Goyá (ou Goiá), o que faria da região conhecida como Goyazes.

Ao avistar as índias ricamente adornadas com chapas de ouro, colocou fogo em uma tigela cheia de álcool e ordenou que os indígenas lhe indicassem a procedência do metal, ameaçando atear fogo nos rios e nas fontes. Os índios o denominaram Anhanguera (em tupi, añã’gwea, ou seja, diabo velho, alma velha).

A estrada que levava ao interior do país, partindo da cidade de São Paulo, foi definitivamente aberta entre 1721 e 1730, e ficou conhecida como o Caminho de Goyazes. Ao invés de seguir pelo rio Tietê, ela seguia para norte, cortando o leste e nordeste do atual estado paulista,

A notícia trazida pelo Anhanguera, iniciou uma corrida por ouro na região central do continente, utilizando o Caminho de Goyazes. A mais bem sucedida expedição a procura de ouro aconteceu em 1722, realizado por Bartolomeu Bueno da Silva, o filho, que seguiu a trilha aberta por seu pai e acabou descobrindo ouro às margens do Rio Vermelho, na região da atual cidade de Goiás.

Além dos bandeirantes, o Caminho de Goyazes atraiu aventureiros e tropeiros que se assentaram às margens da estrada, formando pousos e paradas para dar suporte aos viajantes.

Nesta época, a coroa distribuiu sesmarias para a ocupação do interior da então Capitânia de São Paulo.

Estes processos levaram à ocupação rumo ao norte do atual estado de São Paulo. A região nordeste só foi definitivamente povoada na década de 1820.

Os Bandeirantes no Nordeste de São Paulo

Em 1823, uma expedição saiu da cidade de Taubaté, a fim de explorar o interior paulista e o sertão.

Essa expedição seguiu a trilha de célebres dos bandeirantes até a vila de Casa Branca, afastando-se do rumo das minas de Catas Altas, na Serra de Sabarabuçu, na região das Gerais, em direção Leste.

Nessa expedição estava o bandeirante Simão da Silva Teixeira, sua esposa Catarina Maria da Silva, e seus escravos. Em Casa Branca, Simão entregou à guarda de seu irmão sua mulher e seus escravos, e seguiu sozinho por outra direção: enquanto a expedição seguiria o rumo do nascente, ele seguiria Oeste.

Ele chegou aonde hoje está a cidade de São Simão e onde teria formado um povoado que iniciou a ocupação da região.

Não há registros de que os bandeirantes tenham pisado em solo santa-rosense, mas eles foram fundamentais para o povoamento da região nordeste do estado de São Paulo e, consequentemente, a formação de Santa Rosa de Viterbo.

 
4 Comentários

Publicado por em 24 de março de 2013 em Povos

 

4 Respostas para “Bandeirantes

  1. rita inocencio

    22 de agosto de 2017 at 21:55

    Leandro não tinha negros na composição da história da cidade?

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    • Leandro Queiroz

      14 de julho de 2019 at 21:56

      O casal Feliciano era negro. Eles que doaram as terras pra construção da Igreja Matriz.

      Curtir

       

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