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Francisco Feliciano e “Sá” Chica

25 jan
Esboco Primeira Capela

Desenho de Antônio Lerco representando a primeira capela construída na cidade e denunciando a existência de um cemitério aos seus fundos

O casal Francisco Feliciano e “Sá” Chica foram os proprietários da Fazenda Lagoa, que lotearam e doaram suas terras à Igreja, dando início a formação da cidade de Santa Rosa de Viterbo.

Francisco Feliciano chamava-se na verdade Feliciano Pinto do Carmo e “Sá” Chica foi batizada com o nome Francisca de Paula do Espírito Santo.

O casal de negros eram modestos proprietários de terras arenosas ao redor do Córrego Lagoa, que na época pertenciam ao território de São Simão, no chamado Quarteirão do Ribeirão da Divisa, um conglomerado de nove fazendas localizadas entre o Córrego das Águas Claras e o Rio Pardo.

A propriedade foi registrada em 1848 e, provavelmente, a Fazenda Lagoa foi adquirida do bandeirante Simão da Silva Teixeira, o sesmeiro e fundador de São Simão, que apossou-se das terras da região e fundou várias fazendas por volta de 1810.

O casal Feliciano construiu sua casa próximo ao Córrego Lagoa, onde hoje existe o Asilo São Vicente de Paulo. Era uma rústica casinha de pau a pique que ficava as margens de uma estrada que ligava as fazendas da região do Rio Pardo até São Simão e Casa Branca.

Como não podiam cultivar as terras em torno do Córrego Lagoa, o casal transformou sua casa numa pousada, um ponto de apoio aos tropeiros que passavam pela estrada rumo a São Simão e Casa Branca.

A pousada ficou conhecida por Pouso da Lagoa ou, mais ainda, por Pouso de “Sá” Chica. Isso porque o pouso ficou famoso por causa dos terços que “Sá” Chica realizava em sua casa.

“Sá” Chica era uma senhora de muita fé, devota de Nossa Senhora do Norte, nome da época de Nossa Senhora Aparecida, e realizava nas tardes de sábado um terço em louvor à santa. Esses terços se tornaram o principal evento do povoado que se formou por volta de 1870, quando o casal Feliciano loteou suas terras próximas ao Córrego Lagoa.

Naquela tempo só havia igreja em São Simão e Cajuru, e as dificuldades de locomoção da época fez com que muitos sitiantes da região participassem dos terços de “Sá” Chica, tornando-os cada vez mais famosos.

Com o crescimento do povoado, o Pouso de “Sá” Chica não comportava mais os número de frequentadores de seus terços. Então, em 1884, os fiéis se uniram para construir uma capela para acomodar aqueles católicos.

Por sugestão do casal Luiz Antônio Ribeiro e Joaquina Custódio Ribeiro, os fazendeiros da região realizaram leilões de donativos da comunidade para angariar fundos para construção da capela. No povoado foram realizados procissões e festas juninas com o mesmo intuito.

O casal Feliciano doou as terras para construção da capela, um terreno acima do Pouso de “Sá” Chica – onde hoje está a Igreja Matriz – e que também possuía um cemitério.

Não se tem a data definida do início e do término da construção da capela, mas sabe-se que ela foi construída em 1984. Era uma capela humilde e pequena, também feita de pau a pique.

Nossa Senhora Aparecida e Santa Rosa de Viterbo

Imagens de Nossa Senhora Aparecida e de Santa Rosa de Viterbo, confundidas nos primórdios da fundação da cidade

A tradição oral diz que, após erguida a capela, “Sá” Chica assumiu o compromisso em adquirir a imagem de Nossa Senhora Aparecida para entronizar a santa padroeira em seu altar.

Mas naquela época o povoado não possuía nenhum comércio que vendia imagem de santo; só mesmo os mascates, mercadores ambulantes que naquele tempo percorria as estradas e vilas de mala na mão, vendendo objetos manufaturados, roupas, bijuterias e outras bugigangas.

Então “Sá” Chica aguardou pacientemente a visita de um mascate para adquirir a imagem. E quando o mercador chegou ao povoado, “Sá Chica foi correndo ao seu encontro, logo perguntando se ele tinha uma imagem de Nossa Senhora do Norte pra vender.

O mascate ofereceu uma imagem à senhora, dizendo ser da santa, e o negócio foi fechado.

Após comprar a imagem, “Sá” Chica e outros moradores do povoado foram à cavalo até Cajuru, levando a mesma para ser benzida pelo padre cajuruense, antes de introduzi-la no altar da capela.

Ao chegar à Igreja de Cajuru e pedir ao padre para que abençoasse a imagem, os devotos levaram um choque quando o vigário disse que a imagem não era de Nossa Senhora do Norte.

O casal compreendeu que o mascate, ao perceber que não possuía uma legítima imagem de Nossa Senhora e que “Sá” Chica não conhecia a imagem da santa, mostrou uma imagem que dispunha no momento para tentar enganar a senhora. E conseguiu.

Então o padre de Cajuru identificou a imagem como sendo de Santa Rosa de Viterbo, uma santa italiana.

Tal fato é muito discutido, afinal as imagens são muito diferentes. Nossa Senhora do Norte é negra e usa hábitos azuis, enquanto Santa Rosa de Viterbo é branca e, por ser franciscana, é representada com vestes marrom cor de terra.

No primeiro momento, os fiéis ficaram decepcionados e não queriam aceitar a santa como sua padroeira. Foi então que o padre apressou-se a enaltecer sobre a vida da santa italiana aos devotos.

O padre contou os milagres de Santa Rosa de Viterbo, disse que os fiéis não deveriam ficar infelizes e deveriam aceitar a santa como padroeira, pois certamente fora a Providência Divina que assim quisera e que a santa haveria de fazer muito pelo povo que estivesse sob sua proteção.

Assim o pároco conseguiu convencer os moradores a aceitar a nova padroeira e eles voltaram com a imagem benzida e entronizaram-na no altar da capela.

Mais tarde, a própria “Sá” Chica alcançou uma graça , em promessa que fez à santa, e ela mesmo elegeu Santa Rosa de Viterbo a verdadeira padroeira da recém-construída igreja.

Como gratidão, em 1895, o casal Feliciano lavrou uma escritura doando todas suas terras à Igreja Católica.

Outros condôminos da Fazenda Lagoa também doaram suas terras à Igreja, entre eles os casais José Joaquim da Silva e Cândida Maria de Conceição, e Fabrício Alves de Cunha e Maria Olívia da Cunha.

A partir daí, consolidou-se o início da formação do povoado.

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Publicado por em 25 de janeiro de 2014 em Personalidades

 

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