RSS

Fazenda Amália

24 fev

Sede da Fazenda Amália na década de 1940A Fazenda Amália foi um grande latifúndio da cidade de Santa Rosa de Viterbo, criado por Henrique Santos Dumont, filho de Henrique Dumont – o “Rei do Café” – e irmão de Alberto Santos Dumont – o “Pai da Aviação“.

Henrique Santos Dumont comprou várias fazendas no final do século XIX, próximas ao Rio Pardo, e criou um grande complexo agroindustrial, qual o batizou de Fazenda Amália, em homenagem à sua esposa.

Na década de 1920, um grupo empresarial compra a Fazenda Amália, que no início da década de 1930 passa novamente às mão de único dono, o conde Francisco Matarazzo Júnior.

Sob comando do conde, a Fazenda Amália cresce com a monocultura da cana-de-açúcar, mas também diversifica seu complexo industrial com uma grande fábrica de papel e ácido cítrico. A cidade de Santa Rosa de Viterbo se desenvolveu graças à Fazenda Amália e quase toda sua história está acorrentada a ela.

O conde administrou e ampliou o “Grande Império Industrial” da Família Matarazzo por quatro décadas, e a este “Império” somou a Fazenda Amália. As Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo foi durante muito tempo o maior complexo industrial da América Latina.

No início dos anos 1980, o “Império” ruiu. A filha do conde, Maria Pia Matarazzo, pede concordata em 1983 após herdar um “Império” com dívidas em torno de 300 milhões de dólares. Para a Fazenda Amália foi fatal. A partir dos anos 1990, Maria Pia vende empresas do Grupo Matarazzo e arrenda a Usina Amália. Terras também foram arrendadas ou vendidas, ou ainda penhoradas.

No início do século XXI, a Fazenda Amália chegou ao fim com o fechamento da Fábrica de Sabonetes. Após 113 anos em funcionamento, a Usina Amália parou diante um impasse no arrendamento entre família Matarazzo e Biagi.

 O início com a família Dumont

Maria Rosalina, Virgínia, Gabriela, Santos Dumont, Francisca, Amália(cunhada), e seu marido Henrique

Henrique Santos Dumont e sua esposa Amália Ferreira (primeiros à direita) acompanhados de Alberto Santos Dumont (centro) e parentes

A família de origem francesa Dumont chegou à região 1879, quando Henrique Dumont comprou a Fazenda Arindeúva, cuja as terras formam hoje a cidade de Dumont – a 20 km da cidade de Ribeirão Preto – na época pertencente ao município de Ribeirão Preto. Com apenas 80 escravos, iniciou o plantio do café.

Após 10 anos de trabalho, Henrique Dumont enriqueceu com sua fazenda, que em seu apogeu contava com 5 milhões de pés de café e 96 km de ferrovias por onde passavam 7 locomotivas que escoavam sua produção. Henrique Dumont tornou-se conhecido na época como o “Rei do Café“, e Ribeirão Preto como a “Terra do Café“.

Henrique Dumont era casado com Francisca dos Santos e tiveram oito filhos, entre eles Alberto Santos Dumont, que futuramente seria o primeiro homem a voar em balões dirigíveis com motor a gasolina e o primeiro a decolar a bordo de um avião impulsionado por um motor a gasolina, tornando-se o “Pai da Aviação” e um herói nacional.

Em 1890, Henrique Dumont caiu da charrete numa de suas fazendas e o acidente o deixou hemiplégico (paralítico de metade do corpo). Posteriormente, em 1891, em consequência do tratamento, vendeu suas fazendas e partiu para a França com sua família, em busca de uma cura. Sem sucesso, volta ao Brasil em 1892 e doa sua fortuna aos filhos antes da sua morte em 30 de agosto do mesmo ano.

Um de seus filhos, o primogênito Henrique Santos Dumont, decide seguir os passos e o modelo empresarial de seu pai. Nascido em 1857, Henrique Santos Dumont era casado com Amália Ferreira, filha do Barão de Ibitinga, e com ela teve três filhas.

Em busca da terra roxa para se dedicar ao plantio do café, Henrique Santos Dumont chegou ao então Bairro Lagoa, uma vila pertencente ao município da São Simão, embrião da cidade Santa Rosa de Viterbo, em 1894, dois anos após a morte de seu pai.

Por meio de um procurador, o engenheiro André Gustavo Paulo de Frontin, conhecido como o “patrono da engenharia nacional” e um dos donos da Empresa Industrial Melhoramentos do Brasil, Henrique Santos Dumont investiu na compra de fazendas na região do Rio Pardo.

A primeira aquisição foi a Fazenda London. A fazenda localizava-se às margens do Rio Pardo, onde o clima era sujeito a geadas, impróprio para a cafeicultura. Então Henrique Santos Dumont comprou mais fazendas na região a procura da terra propícia ao café. Para a Fazenda London, a alternativa foi implantar uma cultura que adequa-se ao clima das terras, e a escolhida foi a cana-de-açúcar.

Ainda em 1894, Henrique Santos Dumont comprou da Empresa Industrial Melhoramentos do Brasil a Fazenda Santa Constança, unindo-a à Fazenda London. À nova gleba de terras, o empreendedor deu o nome de Fazenda Amália, em homenagem à sua esposa Amália Ferreira.

Nascia aí o latifúndio que proporcionaria o desenvolvimento do Bairro Lagoa e futuramente a Vila Santa Rosa, que em 1910 se emanciparia politicamente de São Simão, e nasceria a cidade Santa Rosa de Viterbo. Henrique morava na cidade de São Paulo e quem administrava a Fazenda Amália era o italiano doutor Guido Maestrello.

Para trabalhar em seu empreendimento, Henrique trouxe para a Fazenda Amália muitos imigrantes europeus, principalmente italianos, vindos da cidade de Ribeirão Preto. Henrique instalaram os imigrantes em sessões e colônias espalhadas por sua propriedade.

Henrique Santos Dumont comprou na região do Bairro Lagoa outras fazendas em 1894: a Fazenda Tamanduá, parte da Fazendinha, a Fazenda Coqueiro e parte da Fazenda Caçador.  Em março de 1897, ele adquiriu a Fazenda Pintos, e em novembro, a outra parte da Fazenda Caçador.

Ainda em novembro de 1897, ele comprou a Fazenda Bella Vista do Major Francisco da Cunha Bueno, onde havia uma bela casa, que passaria a ser usada como sede da Fazenda Amália. Com arquitetura de uma grande casa de fazenda, ela possuía 13 amplos cômodos e amplos jardins para hospedar Henrique, sua família e convidados.

Em fevereiro de 1898, Henrique adquiriu a Fazenda Divisa e a Fazenda Serra. E a Fazenda Amália ia crescendo e suas terras devidamente utilizadas. As partes mais altas eram ocupadas por pés de café, enquanto nas às margens do Rio Pardo eram preenchidas com a cana-de-açúcar.

Com a produção a crescer, Henrique viu a necessidade de investir na infraestrutura para o escoamento da produção da Fazenda Amália, e então ele começou a criar uma ferrovias para interligar seu vasto latifúndio. Em 1898, Henrique Santos Dumont constrói um ramal ferroviário particular, com bitola de 1 metro, para ligar a Fazenda Amália à Linha Tronco da Mogyana.

O ramal foi inaugurado em 4 de junho de 1898 e passava nos descampados mais altos da Vila Santa Rosa,  e continuava rumo ao povoado Rocinha, como era conhecido Nhumirim antigamente. O ramal se encontrava com a linha da Mogyana na região onde hoje é o sul do município.

Em agosto de 1898 foi inaugurada a Estação Ferroviária Glória para servir de entroncamento para essas ferrovias particulares nas terras de Henrique, e que logo passou a ser chamam de Estação Santos Dumont, em homenagem ao seu irmão Alberto.

Adaptada ao terreno e ao clima da região, a cultura de cana-de-açúcar se espalhou e, em 1900, Henrique instalou um engenho para a produção de açúcar, aguardente e álcool, chamado Engenho Central Dumont. Em 1901, o engenho é transformado numa usina com a construção de uma chaminé de 38 metros de altura.

Engenho Central Dumont moeu cerca de 27 mil toneladas de cana em 1904, e nos próximos anos produzia cerca de 47 mil sacas de açúcar por anos. Posteriormente, ele foi batizada de Usina Dumont, uma das primeiras a serem fundadas na região.

Em 1907, Henrique adquiriu a outra parte da Fazendinha e parte da Fazenda Santo Antônio. Em 1908, ele comprou a Fazenda Monte Alegre e uma parte da Fazenda Águas Claras. Conforme mais terras eram anexadas à Fazenda Amália, o número de colônia foi se espalhando pela região, chegando às cidades vizinhas de Cajuru, São Simão, Tambaú e Serra Azul. Elas cresceram e tinham vida própria, como se fossem pequenas vilas.

Entre 1908 e 1909, um posto telegráfico que ficava em frente à Usina Dumont foi transformado na Estação Amália, que tornou-se o ponto final do ramal ferroviário que ligava a Fazenda Amália à Vila Santa Rosa. Ainda em 1909, Henrique venderia o ramal para a Companhia Mogyana de Estradas de Ferro, que futuramente o estenderia até a cidade de Cajuru.

Em 1909, Henrique construiu uma usina hidrelétrica para alimentar a Usina Dumont. Ela foi batizada de Usina Hidrelétrica Itaipava, acrônimo formado pelas palavras do tupi-guarani “ita” (pedra), “i” (água) e “pava” (passagem): literalmente “pedra que liga uma margem à outra do rio”.

Em 1910, a Vila Santa Rosa é desmembrada do município de São Simão para formar o Município de Ibiquara.Segundo o IBGE, o novo município contava com 10 mil habitantes, sendo que cerca de 700 moravam na cidade e o restante residiam na Fazenda Amália, espalhados por suas colônias.

Em 12 de março de 1911, o administrador da Fazenda Amália, Guido Maestrello, foi eleito o primeiro prefeito da cidade pela Câmara Municipal. Através dele, Henrique Santos Dumont exerceu sua força política no novo município. Neste ano também foi criado a Escola Estadual de Amália.

Em 1915, foi adquirida a Fazenda Paraíso, em São Simão, que posteriormente formaria a Sessão Parazito. Henrique ampliaria ainda mais seu latifúndio com a aquisição das fazendas Recreio, Santa Rita, Posses, Retiro e parte da São Lourenço em 1916. Em 1919 adquiriu o restante da Fazenda São Lourenço, além da Fazenda Serrinha.

Início da Era Matarazzo

Antonio CorreiaHenrique Santos Dumont morreu em 1919 aos 62 anos. Sua esposa Amália e as suas filhas decidiram então vender a enorme Fazenda Amália.

O fazendeiro de origem alemã Francisco Schmidt, amigo da família Dumont e que morava em Ribeirão Preto, interessou-se pela fazenda. Em sociedade com dois grandes empresários da capital, o conde Francesco Matarazzo e o comendador Alexandre Siciliano, ele comprou a Fazenda Amália. Para gerir o empreendimento foi criada a Sociedade Agrícola Fazenda Amália. No entanto, a sociedade não deu certo e a Fazenda Amália teve seu crescimento interrompido pela falta de comando por parte de seus novos proprietários.

Naquele ano, a Usina Amália produziu 51.041 sacas de açúcar e perto de 310 mil litros de álcool.

Francisco Schmidt morreu em 1924 e doutor Guido Maestrello perdeu o comando da Fazenda Amália para Mário Carneiro da Cunha, cearense que veio para São Paulo para tornar-se gerente da Sociedade Agrícola Fazenda Amália.

Em 1929, Francesco Matarazzo transferiu sua parte na Sociedade Agrícola Fazenda Amália para seu filho Francisco Matarazzo Júnior, escolhido como sucessor nos negócios da Família Matarazzo após a morte do primogênito Ermelino em 1920.

Apesar de ser o sucessor no comando de um vasto “império empresarial”, Francisco se apaixona mesmo é pela Fazenda Amália, e em 1931 compra os outros dois terços da propriedade, desfazendo a Sociedade Agrícola Fazenda Amália e tornando-se seu único dono.

O conde Chiquinho, como era conhecido, construiu em 1931 uma mansão inspirada nos casarões da Avenida Paulista, onde viviam os grandes empresários da época, para acolher sua família e visitas. O prédio ficou conhecido pelos funcionários como Palacete.

O conde Francisco Matarazzo Júnior reiniciou o vigoroso crescimento da Fazenda Amália. Ainda na década de 1930, o conde adquiriu e anexou à sua propriedade a Fazenda Santa Filomena e as fazendas Graciosa e Cachoeira, localizadas no município de Cajuru. Para facilitar o transporte da cana, o conde mandou construir inicialmente uma ponte flutuante no Rio Pardo.

A produção de açúcar chegou a 115 sacas por ano e 500 mil litros de álcool.

Ao mesmo tempo que ampliava a monocultura da cana-de-açúcar, o conde Francisco Matarazzo Júnior diversificou a atividade industrial da Fazenda Amália. Junto à Usina Amália, construiu uma fabrica de éter sulfúrico para aproveitar o excedente de álcool.

Na Fazendinha, ele começou a fabricar doces e conservas a partir de produtos alternativos produzidos em terras não ocupadas pela cana. Em 1937, o conde lança no mercado a marca Amália que, de acordo com a época do ano, produzia goiabada, marmelada, doce de abóbora, amido de milho e extrato de tomate.

No início da década de 1940, o conde decide derrubar a chaminé da usina construída por Henrique Santos Dumont e construiu duas novas feitas de latão. No entanto, as novas chaminés expeliam uma grande quantidade de fuligem negra que causava um grande transtorno.

Ainda no início da década, o conde adquiriu o Sítio Santa Rita, que ficava entra a fazenda e a cidade. Nessas terras construiu uma estrada particular para dar acesso ao Palacete, com um muro de pedras e um monumental portão em sua entrada, localizados na atual Praça Maria Pia. Também nesta época, deu início a construção de canais para a irrigação dos canaviais e das represas do Barro Preto e Santa Constança.

A produção crescente chega a 200 mil sacas de açúcar e 1.775.096 litros de álcool em 1940.

Em 1946, ele inicia a construção de duas novas chaminés mais altas, com 80 metros de altura, feitas de ferro envoltas por pré-moldados de concreto.  Ao mesmo tempo, ele realizou uma reforma geral na usina para aumentar a capacidade de moagem. As chaminés ficaram prontas em 1949, mas só entraram em funcionamento entre 1953 e 1954, com o término da reforma da usina, cumprindo seu objetivo de lançar a fuligem pra longe.

Na sede da Fazenda Amália, o conde investe na infraestrutura para bem-estar de seus funcionários. Na década de 1940, inaugura o Hospital Santo André (o primeiro da cidade), o cinema Don Juanico, o Estádio de Futebol Ermelino Matarazzo e a Igreja São Francisco.Em 1943, ele criou o Grupo Escolar Amália, que educava as crianças da sede e das colônias vizinhas.

A fazenda ainda ganharia a fábrica de papel para aproveitar o bagaço da cana. Também adquiriu mais propriedades, a maioria localizadas nos municípios vizinhos, que eram transformadas em novas sessões e colônias. Em seu auge, a Fazenda Amália chegou a ter 35 colônias de trabalhadores.

Em 1946, a produção foi de 270 mil sacas de açúcar e 1.775.000 litros de álcool. Em 1947 foram 286 mil sacas de açúcar e 1.785.000 litros de açúcar produzidos. No próximo ano, a produção alcançaria 301 mil sacas de açúcar e 2,3 milhões de litros de álcool.

Em 1949, a área planta de cana-de-açúcar chegou a 2 mil alqueires, 600 deles irrigados. Todo trabalho agrícola já era mecanizado através de máquinas apropriadas e tratores pesados. A frota contava com 26 tratores, 30 caminhões de 3 a 10 toneladas de capacidade, 15 carretas e vários veículos menores.

No final da década, a Fazenda Amália possuía uma infra-estrutura baseada em 71 km de ferrovias particulares, por onde trafegavam 9 locomotivas e 180 vagões, além de 100 km de estradas.

A fazenda estava dividida em 19 seções:

  1. Sede
  2. Alambari
  3. Baixão
  4. Barrosa
  5. Boa Vista
  6. Cachoeira
  7. Capão Bonito
  8. Corvo Branco
  9. Cruz da Esperança
  10. Fazendinha
  11. Graciosa
  12. Monteira
  13. Morrinhos
  14. Parasito
  15. Pau D’Alho
  16. Santa Filomena
  17. Santa Rita
  18. São Lourenço
  19. Stela Maris

Além dos canaviais, havia 300 mil pés de café, 1,5 de eucaliptos já formados, 4,5 mil alqueires de pastagens, 30 estábulos, 12 silos com capacidade de 10 toneladas cada um, 8 mil cabeças de gado entre bovinos, equinos, suínos e ovinos,

Devido a uma greve realizada por trabalhadores durante a Segunda Guerra Mundial, a relação entre o conde e seus funcionários. Aos trabalhadores, que vivam gratuitamente nas colônias, foi cobrado um aluguel a partir de 1950. O aluguel correspondia a 33% do salário mínimo para o chefe de família e 16,6% para os dois primeiros dependentes. Além da cobrança, o conde proibiu o cultivo de lavoura de subsistência.

Em 1953, o conde construiu a Ponte Álvaro, feita de concreto para substituir a flutuante. Ainda no início da década de 1950, foi implantada uma moenda que substituiu a lenha das caldeiras por óleo combustível. Em 1955, o conde instala a fábrica de ácido cítrico, a primeira construída em todo território brasileiro.

A Fazenda Amália terminaria a década de 1950 como um dos maiores polos econômicos da região, expandindo sua influência sobre vários municípios vizinhos. No total, a propriedade expandia-se por uma área de cerca de 10 mil alqueires.

Em 1960, segundo o IBGE, dos cerca de 3 mil trabalhadores da cidade de Santa Rosa de Viterbo, 95% eram empregados da Fazenda Amália.

O declínio do império

Maria Pia Matarazzo, herdeira da fortuna da família

Maria Pia Matarazzo, herdeira da fortuna da família

A partir de 1960, o conde Francisco Matarazzo Júnior resolveu ampliar a a capacidade de moagem da cana da usina, mas ele enfrentou um grande problema, a falta de decantadores  para a industrialização do caldo. Conforme aumentada a cana moída, em muitas ocasiões, perderam-se produções inteiras.

A usina então moía mais cana do que podia industrializar e o resultado foi o desperdício de garapa. Relatos de funcionários da época informam que, mesmo com a capacidade limitada para a produção de álcool e açúcar, a ordem era não parar de moer, e com o excesso de cana moída a solução era jogar o caldo fora direto no Rio Pardo.

Em 1960, as ferrovias internas da Fazenda Amália foram desativadas e o transporte da cana passou a ser feito por caminhões. No início de 1964, foi aprovado o Estatuto da Terra, que tratava da reforma agrária e previa a desapropriação das terras para distribuição entre colonos e trabalhadores rurais. Assustado, o conde ordenou a desocupação gradativa das colônias.

Iniciava o desaparecimento de uma das características mais marcantes da história do município de Santa Rosa de Viterbo. As colônias foram derrubadas e teve início um intenso êxodo rural.

Em retaliação, o Sindicato do Trabalhadores das Indústrias Alimentícias encabeçaram uma greve geral com participação dos operários da usina e da lavoura no ano de 1966. A greve durou uma semana e a Fazenda Amália demitiu e expulsou das colônias por volta de 2 mil funcionários, sem pagamento de direitos trabalhista.

Com tantos trabalhadores demitidos, a fazenda passou a contratar mão de obra da cidade. Eram chamados de boia-fria, nome que advém do fato de estes trabalhadores levarem consigo suas próprias refeições (na gíria, boia) em recipientes sem isolamento térmico desde que saem de casa, de manhã cedo, o que faz com que elas já estejam frias na hora do almoço.

A contratação dos boias-frias era intermediada por empreiteiros apelidados de “gatos”. Como havia maior oferta de emprego que a mão de obra que a cidade podia oferecer, os empreiteiros agenciavam trabalhadores de outros estados, principalmente do norte de Minas Gerais, da Bahia e do Ceará. Eles eram trazidos para a cidade, onde moravam em precárias condições de vida, e eram transportados em caminhões sem segurança até o trabalho.

Mesmo com o fim das colônias e a demissão de milhares de empregados, tanto a Fazenda Amália como das outras empresas da família Matarazzo passavam por dificuldades financeiras devida a acirrada concorrência que aconteceu no cenário industrial a partir dos anos 1950. Para restaurar o poder comercial do grupo, em 1971, o conde transformou os antigos postos de abastecimento em uma rede de supermercados com o nome de Superbom. A Fazenda Amália também teve um.

Mas a Fazenda Amália só superou a crise momentânea graças ao programa federal Proálcool (Programa Nacional do Álcool) em 1975. Ele foi criado para incentivar a produção do álcool combustível depois da crise internacional do petróleo de 1973 que afetou o setor de todo o país. A área do plantio de cana aumentou e vários pequenos proprietários de terra arrendaram suas propriedades para o cultivo da cana.

Em 1975, Maria Pia, a filha caçula do conde, começou a trabalhar com o pai, preparando para substituí-lo. Em 1976, o conde abre o capital da empresa e se associa com a empresa norte-americana Miles Laboratories, subsidiária da alemã Bayer. A empresa investiu na modernização da produção do ácido cítrico, e foi nesta época, que a fábrica recebeu o nome de Fermenta.

No dia 27 de março de 1977, o conde Francisco Matarazzo Júnior morreu aos 76 anos. Aos 45 anos, Maria Pia Matarazzo assumia os negócios da família.

Fim da Era Matarazzo

Reportagem sobre a concordata da Família MatarazzoEm 1980 foi completada a construção da nova fábrica de ácido cítrico. Mas a realidade da empresa era outra. Maria Pia herdou um império afundado em dívidas em torno de 300 milhões de dólares. Após três grandes desvalorização da moeda nacional, a empresária pediu concordata (acordo judicial para que a empresa deixe de pagar os seus fornecedores e demais encargos para utilizar desse capital de giro para alavancar novamente a sua receita, o que hoje chama-se de recuperação judicial).

Ainda sob a ajuda do Proálcool, a Fazenda Amália ampliou a área plantada com o arredamento de 1 mil hectares de terra em 1985. Em 1987, Maria Pia trouxa para a Fazenda Amália a Fábrica de Sabonete Francis, instalada no galpão de uma antiga fábrica de óleo.

Em 1989, a Fermenta aumentou sua capacidade de produção em 50%. Tal fato despertou o interesse da multinacional alemã Bayer, que adquiriu a parte do Grupo Matarazzo em 1990.

Sem solução para as dívidas das empresa da família, o império dos Matarazzo começou a ruir no início dos anos 1990. Em dezembro de 1990, Maria Pia pediu outra concordata, desta vez por parte da Usina Amália. Por fim, a usina e as terras plantadas foram arrendadas pelos Irmãos Cury, da Usina Santa Rita, em 1993, que mudou o nome da usina para Diné.

Com o arrendamento da usina, a fábrica de papel foi comprada pelo Grupo Artivinco de Itatiba. Os Matarazzo mantiveram o controle sobre a fábrica de sabonete, controlada pela Imodsa (Indústria Matarazzo de Óleos e Derivados S/A) e a Itaipava.

As terras posteriormente foram sendo compradas pelos seus arrendatários. Uma parte foi penhorada e entregue à Cooperçucar para o pagamento de empréstimos. Em 1993, os Cury tinham adquirido 4.176 hectares da Fazenda Amália e a Cooperçucar outros 2.735,51 hectares. Através da Vitercana, um braço do Grupo Matarazzo, Maria Pia ainda controlava 1.655,20 hectares de terras cultivadas, além de 66,59 hectares das terras do Palacete. A Mercocítrico possuía 10 hectares.

Um século após sua concepção, o latifúndio foi desmembrado.

Em 1998, a multinacional inglesa Tate & Lyle comprou a Fermenta da Bayer e mudou seu nome para Mercocítrico Fermentações S/A. No mesmo ano, por falta de pagamento, o Grupo Matarazzo rompe o arrendamento de sua usina com os irmãos Cury e transferi o arrendamento para a família Biagi da Usina da Pedra, da cidade de Serrana. Os Biagi também mudam o nome da usina que passa a se chamar Ibirá.

 Em 2002, uma das chaminés construída pelo conde Francisco Matarazzo Junior desmorona. Em 2006, o Grupo Matarazzo vende a Fábrica de Sabonete para o Grupo Bertin, de Belo Horizonte. A Bertin transferiu a fábrica para sua unidade em Lins a partir de 2009. A última linha foi desativada no final de 2011.

Em 2014, foi a vez da usina terminar suas atividades. Um impasse entre a Matarazzo e a Pedra impediu a renovação do arrendamento. Após 113 anos de atividade, esta era a primeira vez que a Usina Amália parava. A Itaipava é a única empresa da Família Matarazzo ainda em atividade na Fazenda Amália, mesmo assim sofrendo com a seca de 2014 – 2015.

Além do fim das atividades do símbolo da cidade, Santa Rosa de Viterbo perdeu um de seus patrimônios históricos. A sede da Fazenda Amália foi abandonada pela administração dos Biagi e boa parte dos prédios históricos encontram-se em péssimo estado de conservação. Alguns, como a escola e o hospital foram demolidos.

Sem incentivo das autoridades locais e dos proprietários da Fazenda Amália, a cidade vê sua história tombada pelo tempo.

Anúncios
 
47 Comentários

Publicado por em 24 de fevereiro de 2015 em Economia

 

Tags:

47 Respostas para “Fazenda Amália

  1. Luiz Guilherme Morforio

    11 de maio de 2018 at 20:51

    Queria encontrar informações sobre a minha tia-avó Yolanda Morforio, ela era governanta da Fazenda na era dos Matarazzo.

    Curtir

     
  2. Eduardo Silva

    21 de abril de 2018 at 14:48

    Meu tio chamava ANTÔNIO LOURENÇO DE DEUS e tinha o apelido de CABO VERDE e trabalhou por muitos anos na FAZENDA AMÁLIA em Santa Rosa de Viterbo, morava na Rua Comércio, 364 em Santa Rosa de Viterbo onde foi sepultado.
    Alguém conheceu ele????

    Curtir

     
    • Anônimo

      4 de julho de 2018 at 19:14

      Eu o conheci ele foi uma pessoa maravilhosa educado e muito gentil, sempre carismático. Meu pais Jose Jahir Pires trabalhou muito com ele na cocheira próximo do Escritório Central da Almália, meu pai era o Jahir Tapeceiro

      Curtir

       
  3. Ana

    3 de fevereiro de 2018 at 23:41

    Meus bisavos, Maria e Antonio Sartori, trabalharam na Fazenda Amalia. Se alguem tiver qualquer informacao, por favor, entre em contato. Muito obrigada, Ana.

    Curtir

     
    • Fernanda

      8 de agosto de 2018 at 19:02

      Ana, meus bisavós se chamam assim tambem e tô achando q sai as mesmas pessoas. Entra em contato comigo: fernanda.43@outlook.com

      Curtir

       
  4. José Roberto

    26 de janeiro de 2018 at 8:32

    Bom dia a todos do post. Meu contato aqui, é porque preciso entrar em contato com uma pessoa que, até onde eu sabia, morava ai na Fazenda Amália. Seu nome é MEIRE TEIXEIRA FERREIRA, e seu marido ANTONIO FÁBIO FERREIRA, e, moravam na Rua Colônia Mecânica, 27. Se alguém souber, e puder fazer o favor de passarem meu contato, segue: JOSÉ ROBERTO DA SILVA. Motivo: Comprei uma casa do pai da MEIRE, aqui em MAUÁ, na grande S.Paulo, e preciso do contato da família que se mudou para Sta. Rosa de Viterbo. Meu email é: esojrosi@gmail.com Meu tel. é (11) 9 4759-2358 (tem watsapp) Obrigado.

    Curtir

     
  5. Renata Pavoni

    1 de janeiro de 2018 at 7:53

    Renata Pavoni
    Eu fiquei entusiasmada com essa história pq vi minha infancia. Morei na fazenda Amalia quando tinha um amo e meio e meu pai foi quem montou a fabrica de acido citrico. Entrei neste blog procurando sobre fazenda amalia. Adorei a estória. Pena que tudo desapareceu.

    Curtir

     
  6. João Luiz Ortelli

    19 de agosto de 2017 at 11:00

    Olá Leandro bom dia tudo bem!
    Li essa linda história sobre a Fazenda Amália e estou precisando de um favor seu.
    Você saberia dizer se tem registro de funcionários antigos que trabalharam na Fazenda/Usina, principalmente na época da chegada dos italianos?

    Curtir

     
    • Ana

      3 de fevereiro de 2018 at 23:34

      Ola Joao, se fosse possivel, gostaria de obter a lista dos funcionarios tambem. Meus avos e bisavos trabalharam nessa fazenda. Estou procurando as origens dos meus bisavos de sobrenome Sartori, Antonio e Maria. Agradeco muito, Ana

      Curtir

       
  7. Rosilaine Fratassi

    13 de julho de 2017 at 22:27

    Eu gostaria de ter acesso à fotos dos bailes, das gincanas, da escola, da comunhão! Sinto imensa saudade, vivi os melhores anos de minha vida com minha família!

    Curtir

     
  8. João Antônio da Silva

    8 de julho de 2017 at 20:58

    E e foi uma grande perda para nós santarrosenses,eu nasci ali e vivi uma boa parte dessa história.O relato é muito bom e posso dizer; fiel.Parabens.

    Curtir

     
  9. maristela da silva

    16 de junho de 2017 at 21:03

    Me chamo maristela nasci e fui criada n fazenda Amália fico triste ver uma historia se acabar assim .meu filho hj esta pesquisando sobre amalia é uma historia linda

    Curtir

     
  10. Rosana

    5 de junho de 2017 at 23:04

    Parabéns ao pesquisador. Que narrativa maravilhosa, uma viagem no tempo, a história de duas famílias empreendedoras e destemidas, poderosas, sobrenomes-chave que fazem parte da história do progresso econômico do Brasil. Muito bom. Aguardo os outros capítulos.

    Curtir

     
  11. Paulo Roberto

    19 de fevereiro de 2017 at 22:39

    EU me chamo Paulo Roberto, morávamos em Engenheiro Dolabela e em 1969 fomos morar na fazona Amália, onde moramos por dois anos. Meu pai se José Geraldo e trabalhou na usina, fomos vizinhos do Sr. Milton do escritório, Sr. Joaquim esposo de Dona Leila que tinham filhos por nomes de Wladimir, Wladir, William, Agostinho e Regina, tambem vizinhos do Sr. Nacarro que tinha 3 filhas, uma delas por nome Angela. Sao remanescentes de Dolabela a Irene, irenilda, os filhos do Sr. Fernando Bruzinga sendo que hoje a filha Neuza é proprietária de uma empacotadora de açúcar; Periodo muito feliz. Se alguem lembrar da nossa familia ou souber noticias dessas pessoas, favor deixar recados no meu face, Paulo Roberto Souza

    Curtido por 1 pessoa

     
  12. Roberto Cysne

    12 de fevereiro de 2017 at 20:05

    Algo a dizer a respeito do carinho que Maria Pia tinha pela Fermenta ? Única e pioneira fábrica de Ácido Cítrico, colocada ao lado da Usina Amália, ( Roberto Cysne )

    Curtir

     
    • Leandro Queiroz

      16 de fevereiro de 2017 at 18:31

      Olá Roberto!!!
      Nem na literatura nem entre os antigos funcionários da Amália vi ou ouvi falar que Maria Pia tivesse carinho pela fazenda. Ao contrário, seu pai, que construiu a fábrica de ácido em 1955, tinha muito carinho não só pela Fermenta mas por toda Fazenda Amália que era sua propriedade predileta.
      Abraços!!!

      Curtir

       
      • Roberto Cysne

        1 de janeiro de 2018 at 17:49

        Pois ela tinha. Foi incentivadora da joint venture do Grupo Matarazzo com a Miles, e seguiu o projeto passo a passo.

        Curtir

         
  13. John Harold

    29 de janeiro de 2017 at 8:41

    Leandro Queiroz você disse em um comentário que gostaria de ter vivido na Fazenda Amalia, no seu auge quando os Matarazzos eram os donos, mas saiba que na verdade os fucionários desse latifúndio sofriam com a exploração da mão de obra barata, onde eles eram explorados ao máximo enquanto os proprietários ficavam cada dia mais ricos.
    Eu amei essa matéria, meus parabéns ao extremo.
    Eu sou fã da história dos Matarazzos, leio tudo o que eu encontro sobre eles.Também sou apaixonado pela história da Avenida Paulista.
    Forte abraço a todos e obrigado por disponibilizar essa reportagem enriquecedora para os fã da história do Brasil, e para os fãs dos Matarazzos.
    E para terminar minha participação, quero informar que a Maria Pia Matarazzo ainda esta viva e reside na cidade de Osasco SP

    Eu não sei porque minha foto não ficou ao lado do meu comentário

    Curtido por 1 pessoa

     
    • Leandro Queiroz

      29 de janeiro de 2017 at 11:09

      Olá John. Seu comentário diz a verdade, como qualquer latifúndio, a Fazenda Amália explorava a mão de obra barata.
      Mas a fazenda teve uma importância histórica e cultural para Santa Rosa de Viterbo que parece que a cidade perdeu sua alma com seu fim.
      Sabe, meus avós, meus pais e meus tios viveram lá, e apesar das condições que viviam, todos falaram e falam com saudosismo dos tempos que viveram na Amália.
      Mas todos são unânimes, culpam a Maria Pia pelo fim da Amália e ninguém a vê com bons olhos.
      Obrigado pelo comentário! E a partir de fevereiro estarei recomeçando as postagens no blog, Acompanhe!!!

      Curtir

       
  14. John Harold

    29 de janeiro de 2017 at 8:40

    eu não sei porque minha foto não ficou ao lado do meu comentário

    Curtir

     
  15. John Harold

    29 de janeiro de 2017 at 8:33

    Leandro Queiroz você disse em um comentário que gostaria de ter vivido na Fazenda Amalia, no seu auge quando os Matarazzos eram os donos, mas saiba que na verdade os fucionários desse latifúndio sofriam com a exploração da mão de obra barata, onde eles eram explorados ao máximo enquanto os proprietários ficavam cada dia mais ricos.
    Eu amei essa matéria, meus parabéns ao extremo.
    Eu sou fã da história dos Matarazzos, leio tudo o que eu encontro sobre eles.Também sou apaixonado pela história da Avenida Paulista.
    Forte abraço a todos e obrigado por disponibilizar essa reportagem enriquecedora para os fã da história do Brasil, e para os fãs dos Matarazzos.
    E para terminar minha participação, quero informar que a Maria Pia Matarazzo ainda esta viva e reside na cidade de Osasco SP

    Curtir

     
  16. greice

    30 de dezembro de 2016 at 23:31

    Infelizmente não conheço a cidade, e confesso que, caí há algum tempo aqui no blog, por acaso, pelas minhas pesquisas sobre os Matarazzo. Mas não tão por acaso, pois conheço uma região próxima daí onde a Mogyana tinha ramal. Foi em Casa Branca que meus bisavós de linha paterna (imigrantes italianos) casaram, porém trabalharam (lavoura) e moraram em São José do Rio Pardo. Já meu avô foi trabalhar em outra fazenda (Fazenda da Barra) em Itobi, onde se casou com minha vó e onde meu pai nasceu. Depois vieram para Ferraz de Vasconcelos e, posteriormente, meu pai se mudou para Mogi das Cruzes onde nasci e resido.
    Parabéns Leandro pelo seu blog rico em detalhes. Amo arquiteturas que remetem ao passado e histórias. Histórias de pessoas fantásticas, que em vida deixaram sua marca e traços que transcendem os anos. Continue com seu trabalho em deixar o passado presente em nossas vidas. (:

    Curtido por 1 pessoa

     
    • Leandro Queiroz

      2 de janeiro de 2017 at 18:20

      Olá Greice, que bela história.
      Melhor que ter um blog é saber que ainda tem pessoas que valorizam a história.
      Obrigado!!!

      Curtido por 1 pessoa

       
  17. Rafael

    3 de dezembro de 2016 at 19:09

    Eu tenho um livro que foi dado só para os funcionários na década de 70,80
    O livro se chama 100 anos de matarazzo
    Acho que não existe muitos exemplares dele
    Minha família nasceu na fazenda Amália
    Eu tive o privilégio de morar 10 anos lá, tempos bom
    da Saudades.

    Curtido por 1 pessoa

     
    • Ricardo Alexandre da Silva

      5 de dezembro de 2016 at 7:34

      Meu pai recebeu este livro e narra toda história da família Matarazzo. Eu gostava muito de ler e reler várias vezes e tenho muito orgulho de ter nascido na Fazenda Amália. Inclusive tem a arvore genealógica. Infelizmente emprestava pra um e pra outro e acabou se perdendo com o tempo, mas se alguém souber e puder indicar aonde posso encontrar este exemplar ficaria muito agradecido.

      Curtir

       
    • carla samaha donato

      24 de outubro de 2017 at 12:09

      Meu nome é Carla Samaha Donato, sou advogada e trabalho tambem com consultoria sobre cidadania italiana, pesquisas, etc… Poderia me informar se nesse livro de 100 anos da familia Matarazzo ou em algum outro local é possível obter informações de batismo, de nascimento dos filhos de colonos nascidos na fazenda? Obrigada. Caso possivel deixo meu email: dracarlasdonato@gmail.com

      Curtir

       
    • alessandra

      28 de agosto de 2018 at 12:47

      olá, estou pesquisando sobre a minha família de imigrantes espanhóis… minha bisavó Virtudes Peres Lopes disse que quando chegou ao Brasil ainda pequena foi morar/trabalhar na fazenda Santa Amália…. os pais dela se chamavam Miguel Peres e Carmen Lopes… se alguém tiver alguma informação… meu nome é Alessandra Louçana

      Curtir

       
  18. Eduardo Oliveira

    21 de outubro de 2016 at 12:36

    Bela Historia, não vivi na cidade, mas desde criança acompanho estas histórias contadas pelo meu padrinho(Belavenuto) que vivenciou tudo isso morando em uma das colonias com sua família. estive na cidade a uns 7 anos atras e pude ver as ruínas das grandes estruturas(escola, hospital, cinema), é uma pena que tudo isso está se perdendo, e uma grande perda para a historia do País.

    Curtido por 1 pessoa

     
    • Leandro Queiroz

      22 de outubro de 2016 at 12:49

      É verdade Eduardo. Assim como em todo país o patrimônio histórico está se perdendo.
      Hoje temos um centro de memórias fraco e de pequeno acervo. E só.
      Enquanto isso, esta história magnífica vai se perdendo.

      Curtir

       
  19. Marcelo de Campos

    3 de outubro de 2016 at 10:17

    Bom dia, sou neto de Caetano Dominichini e Antenesca Sartori Dominichini. Minha mae e meus tios nasceram na Fazenda Amalia. Alguem sabe onde posso encontrar documentos da Epoca?

    Abraço a todos Marcelo Campos

    Curtir

     
  20. Ricardo Alexandre da Silva

    5 de setembro de 2016 at 10:07

    Bom dia. Gostaria de saber se hoje é possível ir visitar a Fazenda Amália? Nasci lá em 1975, morei na Colonia do Buracão, estudei na escola da Amália. Meu trabalhou lá até 1990. Grato

    Curtir

     
    • Leandro Queiroz

      6 de setembro de 2016 at 14:42

      Boa tarde Ricardo.
      A sede pode sim, apenas as fábricas que são fechadas ou estão arrendadas.
      Mas já aviso, tá tudo abandonado, tomado pelo mato e pouco poderás explorar na antiga sede.
      Já as colônias, com exceção das que estão no entorno da sede, foram todas derrubadas e há poucos vestígios delas.
      Aquela avenida que dá acesso à igreja de São Francisco e ao Palacete é a mais conservada, mas a escola e acho que hospital já foram demolidos.
      Abraço!

      Curtir

       
  21. José Molinary

    28 de agosto de 2016 at 21:55

    Parabéns…..bom trabalho de divulgação. precisamos conhecer mais a nossa história. Visitamos parte de la hoje e ficamos maravilhados.

    Curtir

     
    • Leandro Queiroz

      28 de agosto de 2016 at 22:01

      Obrigado!!!

      Curtir

       
  22. Selma Ribeiro (@Selma314)

    21 de agosto de 2016 at 0:13

    Adorei!!!….Que história incrível, que triste ver minha terra tão amada acabar!….Parabéns ao editor.

    Curtir

     
    • Leandro Queiroz

      22 de agosto de 2016 at 18:50

      Obrigado!!!

      Curtir

       
  23. Nelson Mori

    20 de agosto de 2016 at 17:12

    Pena que Nào incluíram a década de 1970 quando Amália atingiu o pico de seu desenvolvimento, sob minha direção, atingindo a produçào record de um milhão de sacas de açúcar, o máximo de produção de álcool , ácido Cítrico e produção de cana. Havia paz, beleza, amor entre famílias e muita felicidade nas visitas da família Matarazzo.

    Curtir

     
    • Leandro Queiroz

      20 de agosto de 2016 at 20:26

      Olá Nelson!
      Ainda estou editando a página e estou procurando fontes confiáveis para postar sobre cada época da história da Fazenda Amália.
      Se poder colaborar, poderá enviar informações para o e-mail leqesrv@terra.com.br, afinal você é testemunha da era de ouro da fazenda.
      Abraços

      Curtir

       
  24. victoria graciela z.a. rodrigues

    16 de março de 2016 at 11:15

    Eu nasci na Fazenda Amalia em 1965.Sou filha da Vitoria Zanelato e Pedro Rojas q foi um dos diretores da Usina.Minha mãe é a Vitoria dos trigemeos de Amalia q foram criados graças ao Conde e a Condesa,pelas freiras do Hospital Santo André.É uma longa história cheia de curiosidades e lembranças .

    Curtido por 1 pessoa

     
    • Leandro Queiroz

      17 de março de 2016 at 9:29

      Linda história dona Vitória. Eu, que presenciei o final da Amália na minha infância, sinto saudade, fico imaginando a senhora que viveu no auge. Que me dera ter ido ao bailes, ao cinema, ao clube, vivido nas colônias…

      Curtir

       
    • Artur Alberto Ferretti

      10 de maio de 2019 at 11:15

      Bom dia.
      Victoria.
      Sou da família Ferretti, minha mãe (Edna) e minha tia (Lourdes), foram enfermeiras no Hospital Santo André (Amália). Elas ajudaram na criação dos trigêmeos (Vitoria/Fernando/Getúlio) juntamente com as freiras(irmã Florinda/Amância). Seus pais, pelo que me recordo, se mudaram para a cidade de Passos-Mg. Chegamos a receber vocês como visita em nossa casa, morávamos próximo a Casa da Fazenda, perto do escritório central e leiteria.
      ok.

      Curtido por 1 pessoa

       
  25. José Mario Firmino de Oliveira

    23 de fevereiro de 2016 at 17:03

    A Fazenda Amália foi o melhor lugar que já morei. Na colonia do Lenheiro eu passei boa parte da minha infância . Pena que foi tudo destruído . Uma parte da história da Fazenda Amália, foi destruída pelo descaso do poder público que não interveio perante os gananciosos que à destruíram. É com pesar que as vezes volto lá e não vejo mais minha colonia do Lenheiro e muito mais coisas, como a Escola Francisco Matarazzo onde estudei, o Hospital , etc…

    Curtido por 1 pessoa

     
  26. Antonio

    13 de fevereiro de 2016 at 20:58

    Uma história muito bonita não ouvi falar império av.Francisco matarrazo.

    Curtir

     
    • Leandro Queiroz

      14 de fevereiro de 2016 at 8:12

      Valeu. Mas o blog conta apenas da história relacionada à cidade de Santa Rosa de Viterbo. Abraço

      Curtir

       
  27. Levi Ferreira

    6 de janeiro de 2016 at 14:57

    Tem como ter acesso aos nomes dos imigrantes italianos que trabalharam na Fazenda Amalia?

    Curtir

     
    • w

      13 de fevereiro de 2016 at 1:48

       
      • Paulo Tadeu Silva

        23 de agosto de 2017 at 15:48

        Paulinho
        Vivi minha infancia, minha ,adolescencia, minha fase adulta, mudei-me para Santa Rosa aos 22 anos, sinto saudades, principalmente do futebol, onde joguei por vários anos no amália, é triste ver tamanha estrutura terminar desta forma, abandonada.

        Curtir

         

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: